Antecipação do 13º do INSS pode reduzir inadimplência, afirma economista da Fecomércio MG

Fonte: Fecomércio MG/Divulgação

A antecipação da segunda parcela do 13º salário para aposentados e pensionistas do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) aconteceu nessa última semana de maio e deve aliviar temporariamente o orçamento das famílias e movimentar o comércio em Minas Gerais. A avaliação é da economista da Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo de Minas Gerais (Fecomércio MG), Gabriela Martins, que destaca o papel crescente dos aposentados como responsáveis pela sustentação financeira de muitas casas brasileiras. O impacto imediato tende a ser positivo para os indicadores de inadimplência.

Segundo ela, a liberação de R$ 78,2 bilhões para mais de 35 milhões de beneficiários injeta recursos na economia em momento de juros elevados e renda pressionada. O dinheiro tende a ser utilizado, principalmente, para pagamento de dívidas, contas acumuladas e despesas essenciais. “Hoje, o aposentado deixou de ser apenas o responsável pelo próprio sustento e passou a ocupar, em muitos casos, a posição de arrimo de família. É comum que essa renda seja usada para socorrer filhos, netos e outros parentes, ajudando no pagamento de aluguel, alimentação, medicamentos e contas básicas”, afirma Gabriela Martins.

Fonte: Fecomércio MG/Divulgação

“A antecipação do 13º cria um alívio momentâneo no orçamento doméstico. Muitas famílias aproveitam esse recurso para quitar débitos em atraso, reduzir o uso do crédito rotativo e recuperar parte da capacidade de consumo. Boa parte deste público tende a manter um padrão de consumo mais voltado para a subsistência, com gastos maiores nas despesas do dia a dia. Essa antecipação de recursos, por sua vez, é estratégica para injetar renda em todo o setor do comércio, em especial nas lojas de bairro, supermercados, farmácias e serviços”, pontua a economista da Fecomércio MG, diante desse cenário otimista.

Apesar do efeito positivo no curto prazo, a especialista alerta que a medida não representa aumento real de renda ao longo do ano. “Existe um efeito estrutural importante. O recurso ajuda agora, mas ele fará falta nos meses finais do ano, período em que tradicionalmente o 13º funciona como apoio para equilibrar o orçamento das famílias. Sem melhora consistente na renda e nas condições de crédito, há risco de retorno do endividamento nos próximos meses. A medida contribui para reduzir momentaneamente a pressão financeira sobre as famílias, mas não resolve o problema estrutural do endividamento”, conclui Gabriela Martins.

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