
Énia Lipanga. Foto: Divulgação/Arquivo Pessoal
Uma das vozes de destaque da nova literatura moçambicana, a escritora, poeta e ativista Énia Lipanga é a convidada internacional do 6º Festival Literário Internacional de Itabira (Flitabira), que acontece de 29 de outubro a primeiro de novembro. Com uma trajetória que ultrapassou as fronteiras africanas, ela chega ao Brasil em um momento de reconhecimento de sua produção literária, tendo seu livro “Sob a Capulana do Destino e Outros Contos” (Nandyala) entre os semifinalistas do Prêmio Oceanos 2026, uma das principais distinções da literatura escrita em língua portuguesa.
A participação de Énia Lipanga no Flitabira será dia 30 de outubro, às 17h, na mesa intitulada “Outras Formas de Existir”, ao lado da escritora e psicóloga indígena guarani Geni Núñez, com mediação de Ale Santos. O encontro aproxima perspectivas africanas e indígenas sobre as relações humanas, os efeitos da colonização e as possibilidades de construir outros modos de viver. O Flitabira tem patrocínio master da Vale, via Lei Rouanet, apoio do Itaú e da Prefeitura de Itabira por meio da Fundação Cultural Carlos Drummond de Andrade (FCCDA). Todas as atividades são gratuitas.
O evento contará com recursos de acessibilidade e transmissão ao vivo pelo YouTube @flitabira. A programação terá como tema, “A Máquina do Mundo em Nós”, celebrando os 75 anos de Claro Enigma, de Drummond. A curadoria é de Afonso Borges, Sérgio Abranches e Calila das Mercês. A presença de Énia Lipanga amplia o diálogo do Festival com a literatura africana contemporânea, aproximando duas experiências literárias que compartilham a língua portuguesa, mas guardam histórias e expressões culturais próprias.
Natural de Maputo, Énia Lipanga construiu uma obra marcada pela experiência das mulheres moçambicanas e pela crítica às desigualdades sociais. Sua escrita percorre a poesia e a prosa, aproximando a criação literária das questões que atravessam a sociedade contemporânea. Autora de seis livros, ela também atua como rapper e promotora cultural, fazendo da palavra escrita e falada uma forma de intervenção pública. Em 2024, realizou uma circulação por cidades brasileiras, estabelecendo diálogos com autores e instituições culturais.
Seu primeiro livro, “Sonolência e Alguns Rabiscos,” lançado em 2020, tornou-se um marco editorial ao ser publicado simultaneamente em tinta e braile, iniciativa pioneira na poesia moçambicana. Vieram depois obras como “Para Enxugar as Nódoas dos Meus Olhos” e “Ensaios da Partida”, nas quais a autora desenvolve uma escrita atravessada pelas experiências femininas, pelas relações humanas e pelas transformações da vida. A trajetória de Énia também se distingue pela criação de espaços para a literatura fora dos circuitos tradicionais.
Fundadora do sarau “Palavras São Palavras”, há mais de uma década ela promove encontros de poesia e apresentações artísticas que revelam novos talentos em Moçambique. À frente do movimento IncluArte, trabalha pela participação de artistas com deficiência na vida cultural. Sua concepção de acessibilidade vai além da adaptação dos eventos: propõe que a inclusão esteja presente desde a própria organização das atividades. A escritora já participou de festivais e encontros literários em diferentes países, incluindo Portugal e Brasil.
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