Levantamento indica que boa parte da população não mantém reserva financeira de emergência

Foto: Freepik/Magnific

Quando tem, não dura sequer seis meses, aponta a pesquisa

A realidade financeira de milhões de famílias revela um contraste que preocupa. O dinheiro até existe, mas não dura. Levantamento com base no ano de 2025 do “Raio X do Investidor Brasileiro”, realizado pela Associação Brasileira das Entidades dos Mercados Financeiro e de Capitais (Anbima) em parceria com o Datafolha, mostra que quase 70% dos entrevistados afirmam ter alguma reserva para emergências. Na prática, porém, 43% ficariam sem esse recurso em até seis meses. O cenário é ainda mais delicado para quase um terço da população, que não tem nada guardado.

O resultado aponta para uma espécie de “segurança de curto prazo”, que não sustenta imprevistos mais sérios. “Durante muito tempo, a poupança foi vista como porto seguro. Hoje, ela funciona mais como um lugar de passagem do que de proteção. O dinheiro fica parado, rende pouco e perde força com o tempo”, explica Cecília Perini, sócia e líder da XP em Minas Gerais. Com rendimento baixo e pouca eficiência frente à inflação, deixar toda a reserva na poupança pode significar perder poder de compra, justamente quando o recurso mais se faz necessário.

Outro ponto que ajuda a explicar essa fragilidade é a dificuldade de transformar intenção em organização financeira. Apenas uma parte da população consegue guardar dinheiro com frequência, e é ainda menor o número daqueles que fazem isso com estratégia. “Não adianta só guardar um dinheirinho quando sobra. A reserva de verdade precisa de constância e objetivo. O ideal é ter um valor que segure pelo menos seis meses das despesas da casa”, afirma Cecília Perini. Ela reforça que o caminho mais seguro passa por produtos simples, acessíveis e com liquidez diária.

Entre os deslizes mais comuns estão deixar o dinheiro parado, misturar reserva com investimentos de risco ou simplesmente não separar o que é emergência do que é plano de longo prazo. “Boa parte da população acredita que está preparada, mas, na primeira dificuldade, precisa recorrer a empréstimos ou dispor de crédito não planejado. Isso mostra que a reserva não estava bem estruturada”, completa a líder da XP no Estado. A falta de uma reserva sólida também pesa no emocional. A insegurança financeira aumenta o estresse e faz com que decisões sejam tomadas no impulso.

Minas Gerais concentra mais de 663.270 mil contas de investidores pessoas físicas em renda variável, o terceiro maior contingente do país, atrás apenas de São Paulo e Rio de Janeiro. Para Cecília, o próximo passo é simples, mas exige mudança de mentalidade: trocar hábitos antigos por escolhas mais eficientes. “Hoje, mais importante do que guardar dinheiro é saber investir da melhor forma. Quem aprende isso consegue atravessar momentos difíceis com muito mais tranquilidade”, conclui a especialista da XP. Algumas dicas práticas para começar uma carteira de investimentos:

  • Antes de investir, garanta suporte financeiro para imprevistos. Priorize produtos seguros e com liquidez diária.
  • Defina um plano claro. Tenha noção de quanto precisa poupar, por quanto tempo e qual retorno buscar.
  • Entenda seu nível de tolerância ao risco, experiência e comportamento. Isso vai orientar onde e como investir.
  • Equilibrar riscos com diferentes tipos de ativos, respeitando seu perfil e objetivos.
  • Perfis mais conservadores tendem a ter maior peso em renda fixa, enquanto sofisticados abrem espaço para ações e outros ativos.
  • Os investimentos realizados em curto, médio e longo prazo exigem estratégias diferentes.
  • Evite se perder nas oscilações do mercado. Ficar olhando o sobe e desce todo dia pode atrapalhar.
  • Faça aportes frequentes. Regularidade é mais importante do que tentar acertar o “melhor momento”.
  • Investir é uma jornada de longo prazo. Resultados consistentes vêm com o tempo.
  • Ajuste seus investimentos conforme mudanças na sua vida ou no cenário econômico.
  • Busque equilíbrio entre segurança e rentabilidade. O ideal é crescer o patrimônio sem assumir riscos desnecessários.
  • Prepare-se para o futuro, não para adivinhar o mercado. O foco deve estar em consistência e planejamento.

 

 

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