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O dinheiro destinado às apostas esportivas interfere nas decisões de consumo dos mineiros. Pesquisa da Federação das Câmaras de Dirigentes Lojistas de Minas Gerais (FCDL-MG), aponta que consumidores do Estado, deixaram de consumir produtos ou serviços, como alimentação, lazer e compras, para destinar recursos às plataformas. O percentual supera 21% dos entrevistados, que costumeiramente apostam ou já apostaram em bets. O levantamento aponta que 19% desse público já se endividaram ou atrasaram contas em razão das apostas. O gasto médio mensal ultrapassa R$ 290.
Os resultados evidenciam a disputa pelo orçamento, com reflexos no comércio e em serviços. Metade dos entrevistados afirma ter tido prejuízo financeiro, enquanto 29% relatam lucro e 21% são indiferentes. “Quando o consumidor deixa de comprar, frequentar um restaurante ou utilizar um serviço para direcionar parte da renda às apostas, há um efeito direto sobre suas escolhas de consumo. O comércio e os serviços dependem da circulação desses recursos para manter suas atividades, gerar empregos e movimentar a economia”, afirma o economista da FCDL-MG, Vinícius Carlos Silva.

Foto: Divulgação/Fecomércio MG
Do total de consumidores entrevistados, mais de 16% afirmaram que apostam ou já apostaram em bets, enquanto 83% disseram nunca ter utilizado as plataformas. Entre os que já apostaram, os homens representam 62%. O levantamento também identificou diferenças no valor destinado às apostas. O gasto médio mensal informado pelos homens é de R$ 342, ante R$ 206 entre as mulheres, uma diferença de aproximadamente 66%. Em relação à frequência, 36% afirmam apostar mensalmente, 26% raramente, 21% diariamente, 14% semanalmente e 3% anualmente.
Os dados apurados no levantamento consideram tanto pessoas que apostam atualmente quanto aquelas que já apostaram, conforme a pergunta aplicada na pesquisa. “É importante observar que não estamos falando apenas de uma despesa eventual. Há consumidores que incorporaram as apostas à rotina e destinam a elas uma parcela recorrente do orçamento. Quando esse gasto passa a competir com despesas essenciais ou compromissos financeiros, o impacto deixa de ser individual e passa a ter consequências mais amplas para a economia”, avalia Vinícius Silva.

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Sobre a percepção dos resultados: 50% dizem ter prejuízo, 29% acreditam no lucro e 21% consideram indiferença. Além disso, 19% relatam já ter contraído dívidas ou atrasado contas por causa das apostas. O Pix é o meio de pagamento predominante, utilizado por 77% dos entrevistados que apostam ou já apostaram. O cartão de crédito aparece com 14%, seguido pelo cartão de débito, com 8%. Segundo a FCDL-MG, a facilidade de acesso e a rapidez das transações tornam ainda mais importante a conscientização sobre os riscos financeiros associados às apostas.
A entidade destaca que os resultados não permitem estimar o volume total de recursos retirados do comércio mineiro, mas evidenciam que parte dos consumidores já substituiu produtos e serviços por apostas. “Nosso objetivo é contribuir para um debate responsável, baseado em dados. Não se trata de julgar o comportamento, mas, de compreender como as bets afetam o planejamento financeiro e o consumo. A educação financeira é fundamental para que as pessoas conheçam os riscos e não comprometam recursos necessários ao seu sustento”, conclui o economista da FCDL-MG.
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