
Dr. Arthur Lobato. Foto: FSFX
O Setembro Amarelo, campanha de prevenção do suicídio, traz em 2026 o tema “Escutar é estar presente: você não está só, estamos com você”. A iniciativa destaca a importância de ouvir, acolher e buscar ajuda diante de situações de sofrimento emocional, solidão e do chamado “esgotamento social”. Na campanha de 2026, reforça-se a importância da escuta, do acolhimento e da busca por ajuda diante do sofrimento emocional e da pressão provocada pelas redes sociais. Escutar é estar presente e pode salvar vidas, aponta o especialista da Fundação São Francisco Xavier (FSFX), o psiquiatra Arthur Lobato.
A comparação constante com padrões de sucesso, felicidade e beleza exibidos nas redes sociais também pode intensificar esse sofrimento. Quando os sinais persistem e começam a interferir na rotina, é importante buscar avaliação profissional. “Todos nós vamos passar por períodos de tristeza ou momentos em que queremos ficar mais sozinhos. O problema é quando isso se torna constante, acontece todos os dias e começa a trazer prejuízos para a pessoa. Quando alguém perde o interesse pelas atividades, deixa de cuidar de si, se isola e passa a sofrer de forma contínua, é necessário”, explica o médico.
Na psiquiatria, não há exame capaz de confirmar o transtorno mental. A avaliação considera principalmente os sintomas apresentados e os impactos provocados na vida do paciente. “A tristeza deixa de ser apenas tristeza quando dura dias seguidos, ocupa praticamente todo o dia e começa a afetar a funcionalidade da pessoa. Ela perde a capacidade de se concentrar, deixa de realizar atividades que fazia normalmente e passa a se afastar das outras pessoas. Quando existe sofrimento constante e prejuízo na vida cotidiana, é fundamental procurar ajuda”, ressalta o médico do Hospital Márcio Cunha (HMC).
Embora “esgotamento social” não seja uma classificação médica, o termo tem sido utilizado para descrever situações de desânimo, perda de interesse nas relações, cansaço, irritabilidade, desmotivação e dificuldade de manter atividades que antes proporcionavam prazer. Imagens de viagens, conquistas, relacionamentos felizes e rotinas aparentemente perfeitas fazem parte do cotidiano das redes sociais. O problema aparece quando esse recorte passa a ser utilizado como parâmetro para comparar a própria vida com a dos outros. Por isso, tristeza ocasional e momentos de desânimo não devem ser confundidos com um sofrimento persistente.
“Somos bombardeados por histórias de sucesso, felicidade e realizações. Quando alguém olha para a própria vida e acredita que todos estão avançando enquanto ela permanece no mesmo lugar, podem surgir sentimentos de inadequação, frustração e fracasso. Mas as redes mostram apenas uma parte da realidade. Ninguém publica medos, inseguranças ou desafios. A escuta é importante tanto para a prevenção quanto para o diagnóstico. Muitas vezes, a pessoa acredita que aquilo que está sentindo é normal e não percebe que pode estar vivenciando um quadro de depressão ou ansiedade”, afirma Dr. Arthur Lobato.
Para o psiquiatra, escutar exige mais do que simplesmente ouvir. “Escutar é querer compreender o que o outro está vivendo. É estar presente, demonstrar interesse, acolher sem interromper e sem minimizar o sofrimento. Escutar sem julgar é difícil e exige empatia, paciência e disposição para entender o contexto daquela pessoa. O principal sinal é a mudança no comportamento habitual. Quando alguém começa a agir de forma muito diferente do que costumava agir, é importante abrir espaço para uma conversa e entender o que está acontecendo”, orienta Arthur Lobato. Alguns sinais merecem atenção.
- Isolamento social repentino;
- Perda de interesse por atividades antes prazerosas;
- Mudanças significativas de comportamento;
- Irritabilidade ou tristeza frequente;
- Queda de rendimento escolar ou profissional;
- Descuidos com a aparência e a higiene pessoal;
- Alterações importantes no sono ou no apetite;
- Presença de machucados ou comportamentos de risco.



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