Dia do Homem: psiquiatra alerta para a necessidade de cuidados com a saúde mental

Psiquiatra Felipe Timo. Foto: FSFX

Celebrado em 15 de julho, o Dia do Homem vai além da conscientização sobre doenças físicas. A data também reforça a necessidade de ampliar o debate sobre a saúde mental, tema que ainda enfrenta barreiras culturais e faz com que muitos homens adiem ou até evitem procurar ajuda profissional. Apesar dos avanços no conhecimento sobre transtornos como ansiedade e depressão, o modelo tradicional de masculinidade ainda contribui para que o sofrimento emocional seja silenciado. Para o psiquiatra da Fundação São Francisco Xavier (FSFX), Dr. Felipe Timo, muitos homens cresceram acreditando que demonstrar fragilidade é sinal de fraqueza. “É importante acolher sem julgamentos”, destaca o médico.

Embora hábitos saudáveis, como prática de exercícios físicos, alimentação equilibrada, sono de qualidade e momentos de lazer, contribuam para o bem-estar emocional, eles não substituem o tratamento quando há um transtorno mental instalado. Doenças como a depressão possuem fatores biológicos e genéticos e precisam ser tratadas adequadamente para que o paciente recupere sua qualidade de vida. Nos últimos anos, a procura por atendimento especializado entre os homens tem aumentado, mas o preconceito ainda representa um obstáculo importante. Para o especialista, reconhecer a necessidade de ajuda é um passo fundamental para a recuperação. A resistência faz com que sinais permaneçam sem tratamento.

“Durante muito tempo, os transtornos mentais foram cercados por preconceitos. Buscar um psiquiatra era visto como algo destinado apenas a pessoas consideradas loucas. Hoje existe muito mais informação, mas ainda há homens que acreditam que admitir sofrimento emocional significa fraqueza, quando, na verdade, é um ato de coragem. Frases como ‘isso é falta de força’ ou ‘você precisa reagir’ apenas afastam quem precisa de ajuda. Ouvir, oferecer apoio e mostrar que a pessoa não está sozinha pode fazer toda a diferença. Buscar ajuda não é frescura. É um ato de inteligência, coragem e autocuidado. Os transtornos mentais têm tratamento, e ninguém precisa enfrentar esse sofrimento sozinho”, explica o especialista.

Entre os transtornos mais frequentes na população masculina estão: ansiedade, depressão e aqueles relacionados ao uso desequilibrado de álcool e outras drogas. Muitas vezes, o consumo excessivo de substâncias funciona como uma tentativa de aliviar um sofrimento emocional não tratado. Além disso, irritabilidade constante, isolamento social, alterações no sono, perda de interesse pelas atividades cotidianas, tristeza persistente, insegurança e mudanças no apetite podem indicar que algo não está bem. De acordo com o psiquiatra da FSFX, familiares, amigos e colegas têm papel fundamental na identificação desses sinais e no incentivo à busca por atendimento especializado, mitigando preconceitos.

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