
Crédito: Ascom/Festival da Cajá
A memória de Rosemary Alvares de Souza “Dona Rosinha” está eternizada nas paredes da Casa da Cidadania Margarida Silva Costa, durante o “Festival da Cajá”, que terminou neste domingo (14). A muralista e artista visual Daniele Oliveira produziu um mural em homenagem à escritora e ativista quilombola que faleceu aos 67 anos, dia quatro de junho. Dona Rosinha foi criada pela tia Dona Tita, matriarca do Quilombo Santo Antônio. Ao longo da vida, trabalhou como faxineira, vendedora e balconista, mas sempre em defesa das comunidades.
A história foi levada em consideração nesta homenagem: foi presidente da Associação do Quilombo Santo Antônio por dois mandatos, esteve à frente da Interassociação dos Amigos de Bairros de Itabira e participou da rede nacional de enfrentamento à violência contra mulheres. Também atuou como conselheira da sociedade civil no município por mais de 12 anos, com bandeiras como a defesa das mulheres e pela construção de moradias populares. Neste mural, se estabeleceu uma extensa conexão entre a artista e a quilombola.
Daniele Oliveira conheceu a ativista em março, durante a inauguração do curso Defensoras Populares, em Belo Horizonte. Na ocasião, registrou uma foto, referência para a pintura. “Eu já estava com a intenção de pintar a Dona Rosinha desde março, quando a conheci. Fiquei encantada com ela logo no início da apresentação, pela forma como ela se posicionava”, relata a muralista. Ela lembra do encontro, quando Dona Rosinha, ao ser convidada a ficar confortável durante a roda de conversa, decidiu tirar o sutiã, se aproximando das participantes.
“Foi um ato que me chamou a atenção. Ela mostrou uma forma muito própria de se posicionar e aquilo gerou uma conexão. Depois fui conhecer a história dela e descobri uma mulher que não defendia apenas a própria trajetória, mas toda uma comunidade”, conta a artista visual, autora da homenagem. A partir da pesquisa sobre a vida de Dona Rosinha, a artista buscou representar elementos ligados à coletividade, território e afeto. A pintura traz referências às lutas defendidas pela ativista e à importância da preservação da memória quilombola.



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