
Imagem: Freepik/Magnific.
O avanço da proposta que prevê o fim da escala 6×1 no Congresso Nacional amplia uma discussão que vai além das relações trabalhistas e passa a atingir diretamente o modelo operacional das empresas brasileiras. Embora o debate tenha ganhado força sob a ótica da qualidade de vida e da saúde mental dos trabalhadores, especialistas alertam que a mudança também pode provocar efeitos relevantes sobre produtividade, custos, competitividade e geração de empregos, especialmente em setores que dependem de operação contínua, que seguramente serão mais afetados.
A aprovação da admissibilidade da proposta pela Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) da Câmara dos Deputados abriu uma nova etapa de tramitação. Agora, o tema segue para uma comissão especial, responsável por discutir o mérito da medida, consolidar diferentes versões em análise e definir possíveis caminhos para implementação. A análise foi decisiva para permitir o avanço do texto e abrir espaço para uma discussão mais aprofundada sobre os impactos econômicos e operacionais da redução da jornada semanal atualmente fixada, na maioria dos casos, em 44 horas.
Embora o debate tenha ganhado força a partir de argumentos ligados à qualidade de vida e saúde mental dos trabalhadores, especialistas das áreas contábil, empresarial e jurídica alertam para efeitos econômicos relevantes, especialmente em setores que dependem de operação contínua, como indústria, varejo e serviços. “A discussão é legítima, mas precisa considerar o cenário atual, em que muitas empresas já enfrentam dificuldade de contratação. Alterar a jornada sem avaliar os impactos estruturais pode gerar efeitos econômicos importantes”, afirma o contador Richard Domingos.
Segundo ele, a redução da jornada com manutenção salarial eleva o custo por hora trabalhada. “Na prática, o custo aumenta, o que pode gerar pressão sobre a mão de obra e, consequentemente, sobre os preços de produtos e serviços.” Benito Pedro Vieira Santos, bacharel em Administração e Contabilidade, reforça que o impacto vai além do campo trabalhista. “Empresas que operam com jornadas contínuas terão que rever escalas, contratar mais pessoas ou ampliar jornadas complementares. Isso afeta diretamente margens e competitividade”, explica.
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