Uso prolongado do celular sobrecarrega o pescoço e leva à dor crônica, alerta especialista

Crédito: Magnific

A população brasileira é marcada pelo uso constante do smartphone, seja para o trabalho, comunicação ou entretenimento. Os dados mais recentes da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (PNAD) Contínua – Tecnologias da Informação e Comunicação (TIC) de 2024, pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), mostram um avanço recorde no uso de celulares no Brasil. Em 2024, quase 89% da população com dez anos ou mais possuía o aparelho para uso pessoal. No entanto, esse hábito cultural tem impactado a saúde da coluna.

O tempo prolongado de tela e a má postura estão provocando uma escalada nos casos de cervicalgia, como são chamadas as dores no pescoço, em faixas etárias cada vez mais jovens. “Nosso pescoço está preparado para suportar o peso da cabeça, que é de cerca de cinco quilos, em média. Quando o indivíduo inclina a cabeça em 60 graus para olhar o celular, a carga suportada pelo pescoço pode chegar a 30 quilos. Essa sobrecarga exige um esforço enorme de toda a musculatura, gerando dores no pescoço, ombros e costas”, explica o ortopedista Marcos Ferreira Junior.

Em longo prazo, essa sobrecarga pode causar a retificação da lordose cervical, quando o pescoço fica mais reto e rígido, acelerar a degeneração dos discos e articulações e, em pessoas com predisposição, precipitar o surgimento de hérnias de disco. Em casos extremos, a má postura contínua pode levar ao aumento da cifose, causando inclusive alterações estéticas. Os primeiros sinais de que há um excesso de uso e sobrecarga são a dor e a sensação de rigidez, a dificuldade de movimentar ou esticar o pescoço. O médico alerta que alguns sintomas indicam a necessidade de buscar ajuda especializada.

A principal delas é a dor constante, aquela que dura mais de uma semana ininterrupta, ou dores muito fortes que não apresentam melhora com analgésicos comuns. Dores que se espalham para os membros superiores, como ombros e braços, e a presença de dormência, formigamento ou perda de força nas mãos e nos braços também servem de alerta para ir ao pronto atendimento. Para evitar o surgimento ou o agravamento das dores. O especialista lista mudanças de hábitos essenciais: ao usar o smartphone, levante os braços e mantenha o aparelho na altura dos olhos.

É necessário manter pausas e impor limite no tempo de uso contínuo. “Faça pausas de 30 a 60 minutos. Durante o intervalo, faça movimentos de sim e não com a cabeça e estique a musculatura (flexão e extensão do pescoço). Utilize cadeiras que permitam apoiar bem as costas e a cabeça. O uso de apoio para os braços é fundamental para não sobrecarregar a musculatura e ajudar a manter o celular na altura correta. Pratique exercícios físicos regularmente, com foco no alongamento e fortalecimento da musculatura da coluna e região cervical,” alerta o especialista em cirurgia de coluna.

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