Especialista em finanças ensina planejamento financeiro mesmo com salário popular

Foto: IA por Gemini

Ganhar R$ 3 mil por mês está próximo da realidade de milhões de brasileiros. A renda média chegou a R$ 3.722 no primeiro trimestre, de acordo com a Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (PNAD) Contínua, do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Ao tomar essa referência para responder a dúvida: dá para montar uma reserva de emergência com salário popular? A resposta é sim, informa Thaísa Durso, especialista em finanças pessoais da Rico. Ela explica que a conta é mais simples do que parece.

“A gente detalhou o passo a passo completo: como calcular o valor exato, os erros que esvaziam a reserva e os melhores ativos para guardá-la. Antes de pensar em quanto guardar, vale entender o que realmente define o tamanho da reserva. Não é apenas quanto se ganha, mas principalmente o custo de vida essencial, formado por despesas que precisam continuar sendo pagas mesmo diante de um imprevisto, como moradia, contas básicas, alimentação, transporte e saúde”, destaca a especialista em educação financeira.

Aplicando o percentual 50-30-20, no qual metade da renda é destinada às despesas essenciais, alcança-se o custo essencial estimado de R$ 1.500 por mês, que será a base dos cálculos desta análise. “Vale reforçar, porém, que essa divisão é apenas um ponto de partida. Para calcular a própria reserva, o ideal é substituir os R$ 1.500 pelo valor efetivamente gasto com despesas essenciais todos os meses. Feita essa estimativa, o próximo passo é definir por quantos meses a reserva precisa cobrir esses gastos,” ressalta Thaísa Durso.

Quem possui renda previsível pode começar com uma reserva equivalente a três meses das despesas essenciais e ampliá-la gradualmente. Para autônomos, microempreendedores individuais (MEIs) ou profissionais com renda variável, uma faixa de seis a 12 meses tende a oferecer uma margem maior nas oscilações. Esse número de meses, não é uma regra fixa: ele também pode variar conforme a estabilidade profissional, a quantidade de dependentes, a existência de outras fontes de renda e as despesas com saúde.

“Com os parâmetros, se transforma em números. Usando o custo essencial estimado, as metas de referência mostram que a reserva cresce na mesma proporção do tempo que se quer proteger. A cada três meses de despesas essenciais equivalem a R$ 4.500. Ou seja, a diferença entre os perfis não está no salário, mas no grau de segurança. Com R$ 4.500 como fôlego aos R$ 18 mil pensados para quem vive de renda variável. No fim, não existe um número único, e tudo depende de quanta tranquilidade cada pessoa tenha,” finaliza.

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