
Foto: Helga Lott. Crédito: Sweet Child Fotografia
A microbiota intestinal é o conjunto de trilhões de microrganismos, principalmente bactérias, mas também fungos e outros microrganismos, que vivem naturalmente nesta região do corpo humano. Pesquisadores identificaram aumento simultâneo no consumo de ultraprocessados e na incidência de doenças inflamatórias intestinais. O estudo publicado na revista Nutrients aponta relação próxima entre esse consumo e as alterações na saúde intestinal. Os autores da pesquisa identificaram evidências de que, nas últimas décadas, o aumento desta modalidade de alimentação ocorreu paralelamente à maior incidência de Doenças Inflamatórias Intestinais (DIIs).
“De maneira geral, dietas com grande participação de ultraprocessados tendem a apresentar menor quantidade de fibras e maior presença de açúcares, gorduras de baixa qualidade e determinados aditivos. Esse padrão alimentar tem sido relacionado a alterações na composição e na diversidade da microbiota intestinal e pode interferir na integridade da barreira intestinal e nos mecanismos relacionados à inflamação. Mas é importante lembrar que estamos falando do conjunto da alimentação e que nem todo alimento industrializado ou todo aditivo produz os mesmos efeitos”, descreve a nutricionista Helga Lott, especialista em longevidade e bem-estar.
“O consumo elevado de alimentos ultraprocessados também tem sido associado, em estudos populacionais, ao maior risco de obesidade, diabetes tipo dois e doenças cardiovasculares, dentre outras. A microbiota intestinal é formada por trilhões de microrganismos que vivem naturalmente no nosso trato gastrointestinal. Eles participam da fermentação de componentes da dieta, da produção de determinados metabólitos e vitaminas, da manutenção da barreira intestinal e da modulação do sistema imunológico e de diferentes processos metabólicos. Por isso, hoje entendemos a saúde intestinal como parte importante da saúde do organismo como um todo”, afirma Helga Lott.
Probióticos e prebióticos também têm sido estudados na modulação da microbiota. “Os probióticos são microrganismos vivos que, quando administrados em quantidades adequadas, podem beneficiar a saúde. Isso não significa que todas as pessoas precisem suplementá-los. Os efeitos são específicos e dependem, da cepa utilizada, da dose e da condição clínica. Mesmo após o uso de antibióticos, por exemplo, não existe uma recomendação universal de suplementação para todas as pessoas Já os prebióticos são substratos utilizados seletivamente por determinados microrganismos e capazes de conferir benefícios à saúde”, afirma a especialista.
Para Helga Lott, a alimentação variada continua sendo uma das principais estratégias para favorecer a saúde intestinal. “O mais importante é construir um padrão alimentar variado, predominantemente baseado em alimentos in natura ou minimamente processados, com boa oferta de fibras e diversidade de alimentos de origem vegetal. Frutas, verduras, legumes, feijões e outras leguminosas, cereais integrais, sementes e oleaginosas contribuem para oferecer diferentes fibras e compostos bioativos que interagem com a microbiota intestinal. Somado a isso, é fundamental adotar hábitos saudáveis, como manter a hidratação e praticar atividade física regularmente”, declara.
Apesar dos avanços na análise dos microrganismos do intestino, ainda não existe uma definição universal de uma “microbiota saudável”. Exames de microbiota disponíveis no mercado apresentam limitações e não são considerados consenso entre especialistas. Isso ocorre porque a microbiota é complexa e varia significativamente entre os indivíduos. “A microbiota varia muito entre os indivíduos e sofre influência da alimentação, idade, medicamentos, ambiente e estilo de vida. Ainda não temos parâmetros clínicos universais que permitam olhar para um resultado e simplesmente classificar aquela microbiota como saudável ou não saudável”, pondera Helga Lott.
Segundo a nutricionista, funcionamento intestinal regular, boa tolerância alimentar e ausência de sintomas persistentes podem estar associados à saúde gastrointestinal, mas não permitem avaliar diretamente a composição da microbiota. “Por outro lado, quando há sintomas persistentes, como diarreia, constipação importante, dor abdominal, distensão ou excesso de gases, é importante investigar a causa. Eles podem ter inúmeras origens e não devem ser automaticamente atribuídos a uma microbiota desequilibrada. A avaliação médica e nutricional permite investigar o quadro e definir a conduta mais adequada”, finaliza a especialista em nutrição.


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