
Foto: Fecomércio MG/Divulgação
O comércio mineiro encerrou o primeiro semestre de 2026 com um sinal positivo para as empresas que buscam manter equipes mais estáveis: a rotatividade dos trabalhadores diminuiu ao longo dos últimos meses. O Núcleo de Estudos Econômicos da Fecomércio MG passou a divulgar, de maneira inédita no Estado, o turnover substitutivo, que consiste na medição da rotatividade de funcionários em determinado setor. O indicador que estima a intensidade de reposição da mão de obra no mercado formal apresentou média mensal acima de 5% entre janeiro e junho. No acumulado do semestre, a taxa chegou a quase 32%.
O comportamento do indicador, no entanto, conta uma história mais interessante do que o número acumulado. A rotatividade começou o ano em quase 5%, avançou para 0,35% em fevereiro, atingindo praticamente 6% em março, maior nível registrado no semestre. A partir de abril, iniciou uma trajetória de queda, passando para 5,27% naquele mês, 5,08% em maio e chegando a 4,88% em junho. O resultado de junho representa uma redução de 3,9% em relação a maio e de 15,4% frente ao pico de março. A leitura mostra que o comércio passou por um processo de ajuste no início do ano, mas conseguiu construir maior estabilidade.

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“No primeiro trimestre, o comércio absorveu os ajustes naturais depois do período de contratações temporárias do fim do ano. A partir de abril, observamos uma redução contínua do turnover, indicando maior estabilidade nas equipes. Isso é relevante para as empresas porque a permanência dos profissionais contribui para preservar conhecimento, experiência e produtividade. Quando uma empresa consegue manter uma equipe que já conhece os processos, os produtos e o perfil dos clientes, ela reduz o tempo e os custos envolvidos na reposição de trabalhadores”, explica a economista da Fecomércio MG, Fernanda Gonçalves.
O resultado acumulado mostra que a rotatividade continua sendo um desafio relevante para o comércio de Minas Gerais. O turnover substitutivo de quase 32% no primeiro semestre demonstra uma dinâmica intensa de renovação da força de trabalho e pode pressionar custos operacionais, produtividade e capacidade de retenção de bons empregados. A metodologia adotada pela Fecomércio MG utiliza o menor valor entre admissões e desligamentos como uma aproximação estatística do volume de substituições, já que os dados não permitem identificar diretamente se uma contratação ocupou exatamente a vaga deixada por um trabalhador desligado.

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“A queda do turnover nos últimos meses é uma sinalização favorável, mas não significa que o problema esteja resolvido. A rotatividade ainda exige atenção das empresas. Investir em permanência, qualidade do ambiente, capacitação e políticas capazes de valorizar o trabalhador, pode ajudar a reduzir perdas e melhorar a eficiência”, finaliza Fernanda Gonçalves. O desempenho reforça que acompanhar apenas a geração líquida de empregos não é suficiente para compreender o mercado de trabalho. Em junho, Minas Gerais registrou saldo positivo de 20.805 empregos formais, com 239.167 admissões e 218.362 desligamentos.



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