Falta de planejamento deixa futuro financeiro incerto e aumenta dependência do INSS

Foto gerada por IA Gemini

93% dos aposentados têm a previdência pública como renda principal

O futuro financeiro de grande parte da população brasileira está sob pressão. O alerta aparece nos dados de levantamento com base no ano de 2025 do “Raio X do Investidor Brasileiro”, realizado pela Associação Brasileira das Entidades dos Mercados Financeiro e de Capitais (ANBIMA) em parceria com o Instituto Datafolha. A apuração mostra que 60% das pessoas que ainda estão na ativa esperam depender do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) para se manter na aposentadoria. Na prática, essa dependência tende a ser ainda maior.

O dado apurado mostra descompasso entre expectativa e realidade, e indica baixa preparação em longo prazo. Hoje, apenas 16% da população começou a construir uma reserva para a aposentadoria. A combinação entre alta dependência do INSS e baixo nível de planejamento a longo prazo indica um risco estrutural. “O grande desafio não é só depender do INSS, mas depender exclusivamente dele. Sem uma renda complementar, a tendência é que o padrão de vida caia de forma relevante”, explica Cecília Perini, líder regional da XP em Minas Gerais.

Como a aposentadoria ainda parece distante para muitos, o planejamento acaba sendo deixado para depois e o tempo, que poderia ser um aliado, vira um fator de pressão. Milhões de pessoas podem enfrentar uma queda significativa de renda no futuro ou precisar adiar a aposentadoria. Em Minas Gerais, esse alerta ganha ainda mais relevância diante do envelhecimento acelerado da população e do aumento da longevidade. Entre 2010 e 2022, o número de pessoas com 60 anos ou mais no Estado contabilizou aproximadamente 3,6 milhões de pessoas.

Em 2024, a expectativa de vida chegou a superar 76 anos. Nessa realidade, especialistas alertam que o planejamento financeiro de longo prazo se torna cada vez mais importante para garantir autonomia, segurança e qualidade de vida na terceira idade, para além do INSS. Idosos com mais de 65 anos representam 12,4% da população total em Minas Gerais. O estudo mostra que a maioria ainda não incorporou o planejamento de longo prazo à rotina financeira. A dificuldade de criar reservas faz com que a aposentadoria seja um objetivo secundário.

“Existe uma sensação de que ainda dá tempo, mas quanto mais se adia o início, maior precisa ser o esforço lá na frente. Começar cedo faz toda a diferença”, reforça Cecília Perini. Mesmo com renda apertada, especialistas apontam que o planejamento pode e deve começar com pequenos passos. O primeiro deles é organizar as finanças e criar o hábito de investir com regularidade. Na sequência, é importante buscar alternativas que ajudem a construir uma fonte complementar de renda para o futuro e tragam mais segurança financeira na aposentadoria.

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