FSFX alerta: hepatite sem sintomas, e os risco da infecção sem o conhecimento

Foto; Arquivo

As hepatites virais continuam sendo um importante desafio para a saúde pública brasileira. Em muitos casos, a infecção evolui de maneira silenciosa, sem provocar sintomas perceptíveis, o que faz com que milhares de pessoas convivam com o vírus durante anos sem saber que estão infectadas. É justamente por essa característica que o diagnóstico precoce se torna fundamental para evitar complicações graves e ampliar as possibilidades de tratamento. De acordo com a médica gastroenterologista e hepatologista da Fundação São Francisco Xavier (FSFX), Dra. Nicoly Eudes, esse comportamento silencioso é um dos principais obstáculos para o diagnóstico. Hepatites B e C são as formas mais preocupantes.

Em muitos casos, o paciente procura atendimento somente quando surgem complicações mais graves. “Há uma inflamação lenta e progressiva do fígado e, muitas vezes, os pacientes só manifestam a doença quando já apresentam complicações, como câncer de fígado, cirrose descompensada, vômitos ou fezes com sangue. Por isso, as hepatites B e C são consideradas doenças silenciosas”, explica a especialista que trabalha no Hospital Márcio Cunha (HMC). No Julho Amarelo, mês dedicado à prevenção, testagem e tratamento da doença, se reforça a importância de conhecer os riscos, manter a vacinação em dia e realizar os testes disponíveis gratuitamente pelo Sistema Único de Saúde (SUS).

Gastroenterologista e hepatologista Dra. Nicoly Eudes. Foto: FSFX

Dados do mais recente do Ministério da Saúde (MS), divulgado nesta semana, mostram a dimensão do problema. Entre 2000 e 2025, foram confirmados 863.097 casos de hepatites virais no Brasil. A hepatite C concentrou a maior parcela dos registros, com 361.419 casos, o equivalente a 41,9% do total. Em seguida aparece a hepatite B, com 315.074 casos (36,5%); a hepatite A, com 179.789 (20,8%); a hepatite D, com 4.831 (0,6%); e a hepatite E, com 1.984 casos (0,2%). No mesmo período, o país registrou 98.941 mortes relacionadas às hepatites virais. A hepatite C respondeu por 75,1% desses óbitos, consolidando-se como a forma da doença associada ao maior número de mortes no país.

As hepatites C e B apresentam maior ocorrência no Sul e Sudeste, a hepatite D possui maior concentração no Norte. O cenário reforça a necessidade de ampliar as ações de prevenção, testagem e diagnóstico em todo o território nacional. O teste rápido é feito a partir de uma pequena gota de sangue retirada da ponta do dedo e o resultado pode ser obtido em aproximadamente 30 minutos. “É um exame simples, que não exige coleta convencional de sangue e permite identificar precocemente as pessoas infectadas. Isso possibilita iniciar o tratamento antes do aparecimento das complicações e evita que o vírus continue sendo transmitido para outras pessoas”, destaca a médica do HMC.

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