
Rovena Rosa/Agência Brasil
Quase todo mundo já utilizou um benjamim, uma extensão ou fez uma emenda para ligar equipamentos elétricos em casa. Apesar de comuns, essas práticas podem representar riscos sérios. Dados do Anuário Estatístico da Associação Brasileira de Conscientização para os Perigos da Eletricidade (Abracopel) 2026, ano base 2025, mostram que os incêndios de origem elétrica cresceram 102% nos últimos cinco anos, passando de 606 ocorrências para 1.304 em 2025. As mortes também cresceram 28%, saltando de 47 para 60.
Em Minas Gerais, apenas no último ano, foram registrados 148 incêndios elétricos, crescimento de 32% em relação a 2024, quando houve 112 ocorrências. O número de mortes também aumentou, passando de uma para três. Segundo o estudo, as residências permanecem como o principal palco desse tipo de ocorrência. No ano passado, foram registrados 619 incêndios nesses ambientes, aumento de 22% em relação a 2024 e corresponde a quase 47% do total de incidentes. As fatalidades saltaram de 51 para 60 mortes.
Os dados do anuário detalham ainda as principais causas dos incêndios de origem elétrica no país. Em 2025, as instalações elétricas inadequadas lideraram o ranking, com 706 ocorrências e 33 mortes. Na sequência, aparecem equipamentos como ar-condicionado e ventiladores, responsáveis por 166 incidentes e 14 óbitos. Também figuram entre as principais causas os eletrodomésticos e equipamentos eletrônicos, com 113 ocorrências e três mortes. Os problemas em tomadas resultaram em 20 registros e duas mortes.
Neste cenário, a Cemig reforça medidas simples para reduzir os riscos
Uma das principais recomendações para evitar acidentes é a instalação do Interruptor Diferencial Residual (IDR), que desliga automaticamente a energia do imóvel ao identificar falhas na rede, prevenindo choques elétricos e incêndios. Desde 1997, as normas brasileiras exigem o uso do IDR em locais como banheiros, cozinhas, áreas de serviço e garagens.
A utilização de “Ts”, benjamins e extensões para a conexão simultânea de vários aparelhos é comum em muitos lares brasileiros. No entanto, essa prática é perigosa, já que pode provocar sobrecarga de energia, causando sobreaquecimento e curtos-circuitos em redes não preparadas para suportar a carga elétrica, o que pode resultar em incêndios e até acidentes fatais.
Além disso, o uso de adaptadores em aparelhos de maior potência, como fritadeiras elétricas, ferros de passar e aquecedores, também representa risco elevado. Esses equipamentos exigem uma capacidade elétrica que, muitas vezes, não é suportada pelas instalações residenciais, aumentando a probabilidade de falhas e incêndios.
“É importante também que todas as casas tenham um projeto elétrico, o que facilita a manutenção e até a avaliação para o acréscimo de novas cargas. Além disso, qualquer serviço elétrico deve ser realizado por profissionais qualificados, para não haver esse tipo de ocorrência”, explica o gerente de saúde e segurança corporativa da Cemig, José Firmo do Carmo Júnior.




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