Mais anos de vida, mais estratégia: o novo cenário das mulheres

Foto: Arquivo

No mês da mulher, planejamento financeiro de longo prazo ganha protagonismo diante da maior longevidade feminina e das diferentes trajetórias profissionais. No Brasil, as mulheres vivem em média 79,7 anos, enquanto os homens têm expectativa de 72 anos, segundo dados mais recentes do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

A diferença de 7,7 anos amplia o horizonte de vida feminina e traz uma implicação direta: é necessário estruturar um planejamento financeiro capaz de sustentar um período mais longo após a aposentadoria. Esse dado, objetivo e mensurável, reforça que longevidade é uma conquista, mas também um fator que exige estratégia patrimonial consistente.

Ao mesmo tempo, as trajetórias profissionais ao longo da vida podem incluir períodos de transição, requalificação, empreendedorismo ou pausas estratégicas. Independentemente da motivação, fases com menor contribuição previdenciária ou renda variável impactam a formação de patrimônio e exigem organização antecipada.

Foto: Arquivo

Para a sócia e líder da XP em Minas Gerais, Cecília Perini, especialista em planejamento financeiro e proteção patrimonial, a conta é simples: “Se as mulheres vivem mais, precisam garantir que o patrimônio acompanhe esse tempo adicional de vida. Planejamento não é luxo, é segurança”, afirma. O cenário é ainda mais evidente em Minas Gerais.

Segundo dados do último Censo de 2022, as mulheres são maioria da população (mais de 10,5 milhões) e estão em processo de envelhecimento. Esse índice entre os mineiros, proporção de idosos acima de 65 anos em relação às crianças abaixo de 14, chegou a 68,6, chamando atenção para a necessidade de um planejamento financeiro  pensando no futuro.

Dados do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) mostram que as regras previdenciárias vêm se tornando mais rígidas, exigindo atenção redobrada ao tempo de contribuição e ao valor projetado de benefício. Em um cenário de maior longevidade, depender exclusivamente da previdência pública pode não ser suficiente para manter o padrão de vida no longo prazo.

Cecília Perini. Crédito: Divulgação

“Cada interrupção ou mudança de rota profissional precisa ser considerada dentro de uma estratégia maior. Isso pode envolver previdência privada, carteira de investimentos diversificada e instrumentos de proteção de renda”, explica Cecília Perini. Ao longo da vida, decisões pessoais e profissionais influenciam renda, capacidade de poupança e formação de patrimônio.

O impacto dessas escolhas, quando não planejado, tende a ser cumulativo. “O ponto central não é a transição em si, mas a ausência de organização para atravessá-la. Com planejamento, é possível mitigar efeitos e manter uma trajetória financeira consistente”, afirma a sócia e líder da XP. Outro aspecto relevante é a proteção patrimonial.

Cada vez mais mulheres assumem papel ativo na gestão de recursos e na tomada de decisões. “Planejar sucessão não é falar de fim, é falar de continuidade. É proteger quem você ama e o que você construiu”, reforça a especialista. Na avaliação dela, cresce o papel do assessor financeiro como um diretor financeiro da vida pessoal, projetando cenários à longo prazo.

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *