Tabelamento na taxa de entrega pode elitizar o delivery e afastar consumidores

Foto: Mikhail Nilov

A Associação Brasileira de Bares e Restaurantes (Abrasel) manifesta preocupação com as propostas em discussão no Congresso que preveem o tabelamento da taxa de entrega no delivery. Para a entidade, a fixação de um valor mínimo obrigatório por entrega tende a encarecer o serviço, reduzir a demanda e manter o serviço restrito a uma parcela menor da população, especialmente afastando consumidores das classes B e C, que têm menor capacidade de absorver aumentos.

O delivery brasileiro é baseado, em sua maioria, em pedidos de baixo valor e em entregas curtas. A taxa mínima desconsidera essa lógica e cria um custo artificial que acaba sendo repassado diretamente ao consumidor. Na prática, o pedido fica mais caro e o serviço perde frequência, tornando-se cada vez mais elitizado. Esse movimento impacta bares e restaurantes, que dependem do delivery para uma parcela relevante do faturamento.

“Quando se fixa um valor mínimo por entrega, o efeito imediato é encarecer o serviço e espantar quem pede. Isso diminui o movimento dos restaurantes e reduz a renda total dos entregadores. O caminho mais inteligente é pensar em remuneração por hora, que garante dignidade ao trabalhador sem elitizar o delivery”, afirma o presidente-executivo da Abrasel, Paulo Solmucci. O debate sobre a renda dos entregadores precisa avançar por outro caminho.

Segundo o porta-voz da Abrasel, o desafio é construir uma solução equilibrada, que proteja o entregador, preserve o acesso do consumidor e mantenha a sustentabilidade de milhares de pequenos negócios. “O delivery só funciona com volume. Se o preço sobe demais, o consumidor sai do jogo. E, quando isso acontece, todos perdem”, conclui Paulo Solmucci. Pesquisas recentes com clientes de delivery reforçam esta noção de que o consumidor reage rapidamente ao aumento de taxa.

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