
Cecília Perini. Crédito: Divulgação
Nesta quarta-feira (19) é celebrado o Dia Mundial do Empreendedorismo Feminino, data instituída pela Organização das Nações Unidas (ONU) para destacar o papel transformador das mulheres nos negócios. No Brasil, onde o empreendedorismo feminino não é apenas uma tendência, mas uma força motriz da economia, a busca por educação financeira e a entrada no universo de investimentos se mostram como importantes aliados na gestão dos negócios e dos sonhos dessas empresárias.
De acordo com o Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae), o Brasil conta com mais de 10,4 milhões de empresas comandadas por mulheres: 34% do total. Um número que é ainda mais notável quando se considera que, entre 2012 e 2024, houve um crescimento de 42% dos negócios femininos. Em Minas Gerais, a pesquisa Mulheres Empreendedoras, revela que 93% delas começaram a empreender por conta própria, e para 82% das empresárias se tornou a principal fonte de renda.
Paralelamente, o perfil da mulher empreendedora se entrelaça com o de investidora. A B3, Bolsa de Valores Brasileira, registrou um recorde histórico no fim do ano passado: o número de mulheres investindo em renda variável cresceu 7% em um ano, alcançando 26,26% do total de investidores, salto de 85,6% desde 2020. Mulheres de 25 a 39 anos lideram essa onda, com mais de 605 mil contas ativas no mercado, muitas delas canalizando lucros de seus negócios para aplicações em ações e fundos.
Em 2025, o número de investidoras segue em ascensão, com mais de 1,5 milhão de contas ativas na B3 (25,7% do total). Esse movimento não só fortalece a independência financeira das mulheres que tocam o próprio negócio, mas também impulsiona a diversidade nas diretorias estatutárias de empresas listadas na bolsa: 46% delas contam com pelo menos uma executiva. O Sebrae apurou que 62% das empreendedoras apontam a falta de conhecimento em gestão como o principal desafio.
“Estamos vendo um crescimento muito significativo das mulheres que estão empreendendo, inclusive no mercado financeiro. Temos criado um ambiente mais inclusivo e acolhedor para todas nós, oferecendo informação de qualidade, que contribui para o desenvolvimento de novas perspectivas, agregando mais autonomia e segurança para o processo de tomada de decisão, com foco em oportunidades de crescimento sustentável”, diz Cecília Perini, sócia e líder da XP em Minas Gerais.
Para driblar essa dificuldade, a especialista da XP reitera a importância da busca por educação e organização financeira para o processo de desenvolvimento e sustentabilidade das empresas. “O número de empresas que não sobrevive ao primeiro ano de funcionamento, fase que exige maior investimento, é alarmante, cerca de 20%, segundo o IBGE. Por isso, é preciso ter consciência e organização para fazer a virada do negócio”, reforça Cecília Perini. Leia seis orientações para quem está começando.
- Defina a sua remuneração. Com base no lucro da empresa, defina um pró-labore fixo, esta será a base de sua renda pessoal. Mas não se esqueça de que a empresa também precisa de uma remuneração. Reserve o valor das despesas fixas e do capital de giro, pensando na sustentabilidade do negócio.
- Separe os recursos pessoais e profissionais. Tenha contas bancárias e, até mesmo, cartões de crédito diferentes para que o dinheiro e os objetivos não “se misturem”. Assim, você conseguirá avaliar o desempenho do seu negócio e acompanhar suas despesas pessoais de forma independente.
- Organização é tudo! Uma gestão eficiente começa com atitudes simples. Com a ajuda de aplicativos ou até mesmo de um livro-caixa, registre todas as entradas e saídas da sua empresa. Isso pode facilitar a visualização dos dados e a análise periódica de desempenho do seu negócio.
- Se profissionalize! Busque conhecimentos que vão aprimorar a sua atividade, o seu negócio e o seu olhar de gestora. Sempre que necessário, busque o apoio de organizações, projetos e soluções que contribuam para o desenvolvimento da sua empresa – elas podem fazer a diferença.
- Tenha um planejamento estratégico. O objetivo bem estabelecido vai nortear suas ações e manter sua mentalidade voltada para o crescimento. Avalie sua capacidade produtiva, a precificação praticada no mercado e o momento de reinvestir ou, até mesmo, fazer uma retirada dos dividendos;
- Invista! Defina o seu sonho grande enquanto empresa e se organize para fazê-lo acontecer. Tome decisões conscientes e informadas em relação ao dinheiro e, se for preciso, busque o apoio de um assessor de investimentos, isso vale tanto para pessoa física quanto jurídica.
Deixe um comentário