Ferramenta de acolhimento para vítimas pode favorecer denúncias de abusos sexuais

Delegado João Martins Teixeira

A Polícia Civil do Estado de Minas Gerais (PCMG), apurou e encerrou mais um inquérito de violência sexual. O caso mais recente culminou com o indiciamento de um professor de futebol por assédio e exploração sexual de múltiplos alunos, caso ocorrido na cidade de Ferros, a 76 quilômetros de Itabira. A investigação identificou ao menos cinco vítimas e um histórico de abusos, que duraram décadas. Em recente entrevista, o delegado João Martins Teixeira disse que não se trata de aumento do número de casos, e sim de uma ampliação dos canais de denúncia, principalmente das ferramentas de acolhimento.

“Atribuo esses novos casos à organização de nossa rede de proteção. Como, por exemplo, o serviço de acolhimento montado no Hospital Carlos Chagas (HMCC), que possibilita um maior número de denúncias. Algo que ficava escondido debaixo do tapete começou a aparecer mais, porque a PCMG passa a ter mais facilidade de acesso por parte destas vítimas aos instrumentos de controle. Então, atualmente é muito mais fácil, creio eu, relatar os acontecimentos que chegam à Delegacia”, disse o chefe da DEAM, em entrevista coletiva, concedida dia cinco de novembro. O caso de Ferros não teve a porta de entrada no HMCC.

Foto: Divulgação/PCMG

Entenda o mais recente caso

A Delegacia da PCMG em Ferros, concluiu inquérito policial e indiciou um professor de educação física, de 53 anos, pela prática reiterada de crimes sexuais contra seus alunos. A investigação, iniciada em junho de 2025, identificou várias vítimas, incluindo adolescentes e adultos. A apuração teve início após o pai de um estudante de 14 anos denunciar que o professor enviava mensagens de cunho sexual e fotos explícitas ao seu filho. No dia três de julho, cumpriu-se mandado de busca e apreensão na casa do suspeito, com a finalidade de juntar elementos à investigação.

A análise pericial do celular do investigado foi crucial, revelando um vasto histórico de aliciamento. A investigação identificou um “modus operandi” que se repetia há anos. Vítimas ouvidas relataram que, desde a adolescência, eram coagidas psicologicamente, sofriam assédio físico e eram atraídas à casa do professor para a prática de atos libidinosos, inclusive mediante pagamento. O investigado foi indiciado por um concurso de crimes, incluindo assédio sexual e exploração de adolescente, além de diversos crimes previstos no Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA).

Delegado se manifestou sobre novos casos

“Esta investigação revelou um ‘modus operandi’ criminoso que se perpetuou por décadas. O investigado utilizou a confiança depositada pela comunidade e sua posição de autoridade, como professor, para aliciar, assediar e explorar sexualmente jovens em situação de vulnerabilidade. A coragem das vítimas que depuseram, somada aos elementos de prova objetivos, foi essencial para podermos interromper esse ciclo de abusos”, declarou o delegado João Martins Teixeira. O inquérito policial foi concluído e remetido ao Poder Judiciário e ao Ministério Público.

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