Cemig e Senai celebram parceria na detecção de erosões pertos das torres de transmissão

Crédito: Glenio Campregher/Cemig Divulgação/

A erosão do solo é um dos fenômenos naturais mais impactantes e silenciosos do planeta, representando um risco à infraestrutura nas transmissões de energia elétrica. Atenta a esse desafio, a Cemig, em parceria com os Institutos Senai de Inovação em Energias Renováveis e de Sistemas Embarcados, desenvolveu uma solução pioneira que une modelagem matemática e inteligência artificial para mapear e prever riscos de erosão próximos às torres de transmissão. O projeto integra o modelo Equação Universal de Perdas do Solo (USLE) a técnicas de visão computacional baseadas em redes neurais convolucionais (Mask R-CNN), utilizando imagens de satélite de alta resolução.

A inovação é resultado do projeto de Pesquisa, Desenvolvimento e Inovação (PDI) regulado pela Aneel, que buscou desenvolver soluções para aprimorar a gestão de ativos e reduzir custos de manutenção preventiva em larga escala. Segundo os pesquisadores, a combinação entre os modelos permite detectar erosões já existentes e prever as áreas mais suscetíveis, oferecendo um suporte estratégico para a tomada de decisão e a priorização de investimentos em infraestrutura elétrica. As linhas de transmissão têm papel estratégico no Sistema Interligado Nacional (SIN), já que são responsáveis por transportar a energia gerada nas usinas até as subestações de alta tensão.

Nestes pontos, ocorrem as adequações dos níveis de tensão para posterior distribuição. Em Minas Gerais, a Cemig opera cerca de cinco mil quilômetros de linhas de transmissão, que são fundamentais para garantir a integração do SIN. O modelo USLE foi aplicado para gerar mapas de suscetibilidade à erosão em todo o Estado, considerando fatores como topografia, precipitação, uso e cobertura do solo e características do relevo. Já a Mask R-CNN, alimentada por imagens da constelação de satélites PlanetScope, foi treinada para reconhecer automaticamente áreas afetadas pela erosão, com alta precisão na segmentação de regiões críticas próximas às linhas de transmissão.

“As torres de transmissão estão expostas a condições extremas e, muitas vezes, em áreas de difícil acesso. Antecipar os riscos associados à erosão é essencial para garantir o fornecimento de energia à população e a segurança operacional do sistema”, explica Carlos do Nascimento, engenheiro de transmissão da Cemig. O cruzamento dos dados revelou o potencial da tecnologia para reduzir custos de manutenção corretiva, já que intervenções preventivas custam até 70% menos do que reparos emergenciais. A solução tem aplicação direta em projetos de engenharia civil, mineração, agricultura e planejamento urbano, com impacto positivo na sustentabilidade ambiental e segurança.

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *