
Membros do CEM. Foto: Divulgação/Crea-MG
O Colégio Estadual de Empresas (CEM) do Conselho Regional de Engenharia e Agronomia de Minas Gerais (Crea-MG) definiu como prioridade para 2026 fortalecer a articulação entre instituições de ensino e o setor produtivo. A estratégia busca enfrentar um dos principais desafios das engenharias, da agronomia e das geociências: a escassez de profissionais qualificados no mercado. Relançado em abril de 2025, o CEM atua como órgão consultivo estratégico e reúne representantes de diferentes segmentos para discutir gargalos e propor soluções para o desenvolvimento do setor.
O coordenador-executivo do CEM, engenheiro civil Álvaro Goulart, detalha que o foco continua a ser o de ampliar a cooperação entre universidades e empresas por meio de feiras, palestras, painéis e ações de networking que conectem a formação acadêmica às demandas reais do mercado. O Brasil enfrenta déficit estimado de 75 mil engenheiros, segundo a Confederação Nacional da Indústria (CNI). Ao mesmo tempo, dados do Censo da Educação Superior (2024) indicam queda no número de matriculados e formandos, além de evasão superior a 60% nos cursos de engenharia.
Para o coordenador-executivo do CEM, o momento exige ação conjunta e imediata. “A escassez de profissionais já é uma realidade e tende a se agravar nos próximos anos. Não é possível tratar esse desafio de forma isolada. Precisamos aproximar, de maneira efetiva, quem forma e quem emprega, criando um ciclo virtuoso em que o estudante já se desenvolve conectado às demandas do mercado”, afirma Álvaro Goulart. O CEM propõe que as empresas compartilhem necessidades e desafios para que as instituições de ensino se ajustem para atender a essas demandas.
“Queremos que Minas Gerais se torne referência nacional nessa conexão entre ensino e setor produtivo, contribuindo para formar profissionais mais preparados e fortalecer toda a cadeia da engenharia”, pontua o engenheiro civil, diante deste cenário, reforçando urgência dessa agenda. Um exemplo já em andamento demonstra o potencial dessa aproximação. Com cerca de 60 mil empresas registradas no Crea-MG, o Colégio Estadual de Empresas tem como missão aproximar o Conselho da cadeia produtiva e fortalecer a atuação das empresas de engenharia, agronomia e geociências no Estado.
Em parceria com a Pontifícia Universidade Católica (PUC) Minas, uma empresa do setor de infraestrutura apresentou demandas específicas de projetos, que foram incorporadas à formação dos estudantes de engenharia civil. Com isso, os alunos passaram a atuar em desafios reais desde os primeiros anos do curso. A iniciativa do CEM prevê a expansão da rede de participação. A meta é alcançar, até 2027, a adesão de 150 empresas e 18 universidades, consolidando um ambiente de cooperação contínua entre academia e setor produtivo.




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