FSFX: especialistas orientam sobre a obesidade como um dos maiores desafios da saúde

Foto: Anhanguera/Divulgação

Com os novos hábitos, alimentação ultraprocessada e sedentarismo, a obesidade consolidou-se como uma das maiores ameaças à saúde. No Dia Mundial da Obesidade, celebrado em quatro de março, essa condição deixou de ser apenas uma questão estética e passou a ser reconhecida como uma doença crônica, complexa e multifatorial, capaz de impactar profundamente a qualidade e a expectativa de vida. Duas especialistas, médica nutróloga e endocrinologista da Fundação São Francisco Xavier (FSFX), opinaram sobre o tema.

Elas explicam que a obesidade não pode ser encarada como passageira. Trata-se de enfermidade que exige acompanhamento contínuo, assim como ocorre com a diabetes e hipertensão, por exemplo. A nutróloga, Dra. Juliana Vasconcellos, destaca que o caráter crônico está diretamente ligado à necessidade de tratamento permanente. “É uma doença de longo prazo que precisa ser tratada continuamente. Pode entrar em remissão, mas exige cuidado constante, principalmente por meio do estilo de vida”, explica a médica.

Dra Juliana Vasconcellos. Foto: FSFX

A endocrinologista, Dra. Priscila Nunes, reforça que o acompanhamento clínico desempenha papel fundamental tanto no diagnóstico quanto na condução do tratamento. “O diagnóstico vai além do peso. A bioimpedância, por exemplo, permite diferenciar a quantidade de gordura, massa muscular e água no organismo. Além disso, o acompanhamento médico ajuda a identificar fatores que podem ter desencadeado o ganho de peso, como traumas emocionais, ansiedade ou depressão, que também precisam ser tratados”, ressalta a médica da FSFX.

Estudos científicos apontam que a doença está associada a mais de 150 condições clínicas. Entre os impactos mais imediatos estão o aumento do risco de hipertensão arterial e diabetes tipo dois. Já em longo prazo, os desdobramentos podem ser ainda mais graves, incluindo doenças cardiovasculares, como infarto e acidente vascular cerebral, além de diversos tipos de câncer, especialmente do trato gastrointestinal. Outro agravante é a apneia do sono, com impacto no descanso e em problemas metabólicos.

Dra. Priscila Nunes. Foto: FSFX

“Alimentação equilibrada, atividade física, qualidade do sono e manejo do estresse são pilares fundamentais no processo de perda de peso e na manutenção dos resultados. Focar apenas em um desses aspectos, isoladamente, costuma não ser suficiente”, afirma Dra. Juliana. “A perda de peso não depende exclusivamente da força de vontade. Existem alterações hormonais e neurológicas que interferem nesse processo. Por isso, o tratamento adequado e o acompanhamento profissional são essenciais”, acrescenta Dra. Priscila Nunes.

O preconceito pode afastar pacientes do tratamento e agravar quadros emocionais, criando um ciclo difícil de ser rompido. Por isso, as médicas reforçam a importância da informação e do acolhimento como ferramentas fundamentais no enfrentamento da doença. “A principal mensagem é não desistir. Existem tratamentos eficazes e diversas estratégias terapêuticas além dos medicamentos mais conhecidos. A obesidade tem tratamento, e buscar ajuda profissional é o primeiro passo para transformar essa realidade”, conclui Dra. Juliana.

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