Apuração indica que mais de 46% dos adultos em Minas Gerais estão inadimplentes

Foto: Arquivo

A inadimplência segue impactando o orçamento dos mineiros. De acordo com apuração do Serasa referente a dezembro de 2025, 46% da população adulta de Minas Gerais é inadimplente, índice próximo da média nacional (49,7%), e que evidencia a dificuldade de manter o equilíbrio financeiro diante do custo elevado do crédito e da pressão sobre a renda. O Brasil contabiliza 81,2 milhões de pessoas inadimplentes, com crescimento mensal de 0,79%. O valor médio das dívidas por pessoa é de R$ 6.382, enquanto cada débito possui valor médio de R$ 1.593,27. O volume total das dívidas no país já soma R$ 518 bilhões.

“Minas Gerais possui uma economia historicamente sustentada pela mineração, que é um dos principais motores de arrecadação, empregabilidade e geração de renda no Estado. No entanto, a forte dependência desse setor nos torna vulneráveis às oscilações do mercado internacional e às questões ambientais cada vez mais rigorosas. Precisamos avançar na diversificação econômica dos municípios, desenvolver novas vocações regionais e fortalecer cadeias produtivas sustentáveis”, explica a presidente da Associação Brasileira de Profissionais de Educação Financeira em Minas Gerais (ABEFIN-MG), Lusciméia Reis.

Outro ponto é o volume expressivo de empresas endividadas no Estado, o que compromete a geração de empregos. O excesso de auxílios, quando não acompanhado de políticas de qualificação, acaba infantilizando economicamente parte da população e gerando um desafio adicional: a escassez de mão de obra qualificada. “Ao mesmo tempo, observamos o crescimento preocupante da popularização dos chamados ‘joguinhos de azar’ e das fraudes cibernéticas, que têm levado milhares de famílias ao endividamento, inclusive idosos que comprometem sua renda com crédito consignado”, complementa Lusciméia Reis.

“Soma-se a isso a liberação de empréstimos sem a devida educação financeira, criando um ciclo de inadimplência que impacta trabalhadores, famílias e também a classe empresarial, que assume prejuízos em casos de rescisão contratual. Além disso, a reforma tributária e exigências como a NR1 ampliam a pressão fiscal e social sobre as empresas, podendo aprofundar a crise se não houver planejamento e diálogo. Precisamos alinhar desenvolvimento econômico, responsabilidade social e educação financeira, em sintonia com a Agenda 2030, para construir um estado mais resiliente e sustentável”, alerta Lusciméia Reis.

Em Minas Gerais, a inadimplência está fortemente relacionada ao uso recorrente de modalidades de crédito com juros elevados, cartão de crédito rotativo, parcelamentos prolongados e empréstimos para complementar despesas do dia a dia. “A inadimplência não surge de um evento isolado. Ela é resultado de decisões repetidas sem planejamento. Quando a pessoa entende sua realidade financeira, define prioridades e passa a alinhar suas escolhas aos seus objetivos, ela consegue interromper o ciclo do endividamento e reconstruir sua estabilidade”, afirma Reinaldo Domingos, PhD em Educação Financeira e presidente da ABEFIN nacional.

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