Médicos da FSFX afirmam que doenças invisíveis impactam a vida de pacientes

Fonte: Reprodução FSFX

Silenciosas, muitas vezes incompreendidas e cercadas por desafios no diagnóstico, doenças como lúpus, fibromialgia e Alzheimer fazem parte da realidade de milhares de famílias e ganham destaque no Fevereiro Roxo, campanha que busca ampliar a conscientização sobre essas condições crônicas e reforçar a importância do diagnóstico precoce, do acolhimento e do tratamento contínuo. Embora apresentem características distintas, elas têm algo em comum: o impacto profundo na qualidade de vida dos pacientes e de quem convive com eles.

O reumatologista da Fundação São Francisco Xavier (FSFX), Dr. Guilherme Campos, explica que o lúpus e, principalmente, a fibromialgia, são frequentemente chamadas de doenças invisíveis por não apresentarem sinais físicos tão evidentes em muitos casos, apesar do sofrimento intenso que provocam. Segundo ele, o lúpus é uma doença autoimune, caracterizada por um desarranjo no sistema imunológico, que passa a atacar células do próprio organismo, podendo atingir articulações, pele, rins e até o sistema nervoso.

Sintomas de lúpus. Imagem: Freepik

Já a fibromialgia está relacionada a uma alteração no sistema nervoso, que provoca uma hipersensibilidade à dor, conhecida como dor nociplástica. “São doenças que causam dor incapacitante. No caso da fibromialgia, muitas vezes não existe um exame específico que comprove a dor relatada pelo paciente, o que faz com que o sofrimento seja, muitas vezes, desacreditado, mesmo sendo real e extremamente limitante”, afirma Guilherme Campos. Os sintomas das duas doenças podem se assemelhar, principalmente pela presença da dor crônica.

“O lúpus pode causar inflamações articulares, lesões de pele e comprometimento de órgãos vitais, exigindo tratamento com imunossupressores. Já a fibromialgia costuma provocar dores musculares difusas, fadiga intensa, alterações no sono e, em alguns casos, associação com quadros de ansiedade e depressão. O paciente com fibromialgia, muitas vezes, já acorda cansado, com dores e dificuldade para realizar atividades simples do dia a dia, o que compromete significativamente a rotina e o bem-estar”, ressalta o especialista.

Dr. Guilherme Campos. Fonte: FSFX

O diagnóstico dessas condições ainda representa um grande desafio. De acordo com o Dr. Guilherme Campos, o lúpus é frequentemente subdiagnosticado, já que os pacientes podem passar anos enfrentando sintomas antes de chegar ao especialista. No caso da fibromialgia, o cuidado maior está em evitar diagnósticos equivocados, pois a doença é definida por exclusão, ou seja, é necessário investigar e descartar outras condições que possam causar sintomas semelhantes, como alterações hormonais e doenças metabólicas.

“O reumatologista é fundamental para avaliar pacientes com dor persistente por mais de dois ou três meses, justamente para garantir uma investigação adequada e um tratamento correto. Podemos afirmar que, quando o paciente adere ao tratamento e mantém acompanhamento, é possível alcançar uma melhora significativa e qualidade de vida. Mesmo que não haja cura, é possível controlar a doença e devolver autonomia ao paciente. Quando o paciente se sente ouvido e compreendido, ele se torna mais confiante no tratamento”, pontua.

Dr. Wesley Moreira Vieira. Foto: FSFX

Outra condição abordada na campanha do Fevereiro Roxo é a Doença de Alzheimer, principal causa de demência no mundo. O neurologista da FSFX, Dr. Wesley Vieira, explica que a doença é caracterizada pela degeneração progressiva das células cerebrais. “Ela ocorre devido ao acúmulo anormal de proteínas no cérebro, que leva à perda progressiva das células cerebrais, sendo essa perda a responsável pelo comprometimento da comunicação entre os neurônios”, esclarece o especialista.

Nos estágios iniciais, o sintoma mais comum é a dificuldade para memorizar informações recentes. Mudanças de comportamento, como irritabilidade, apatia e perda de iniciativa, também podem surgir e, muitas vezes, são confundidas com sinais naturais do envelhecimento. “No envelhecimento normal, a pessoa pode esquecer algo ocasionalmente e lembrar depois. No Alzheimer, o esquecimento é progressivo e passa a comprometer a autonomia do paciente”, explica o médico neurologista da FSFX.

Sinais de fibromialgia. Foto: Arquivo

O diagnóstico precoce é o principal aliado. “Embora ainda não exista cura, intervenções médicas e terapêuticas podem retardar a progressão dos sintomas e preservar a independência do paciente por mais tempo. Além disso, o diagnóstico antecipado permite que a família se organize emocional e estruturalmente para lidar com a doença. Pois, quando identificamos precocemente, conseguimos iniciar o tratamento no momento certo e planejar o cuidado de forma mais humanizada, reduzindo impactos futuros”, destaca o especialista.

O Alzheimer também provoca repercussões que ultrapassam o paciente, afetando diretamente toda a família. Com a evolução da doença, familiares passam a assumir responsabilidades relacionadas à rotina, à administração de medicamentos e às decisões do dia a dia, o que pode gerar sobrecarga física e emocional. “É comum que o cuidador principal enfrente cansaço, ansiedade e até um sentimento de luto antecipado. Por isso, o cuidado precisa incluir toda a família”, finaliza o médico especialista.

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