Novas adequações na Vale em Itabira: usina Cauê entra em “hibernação”

Foto: Sindicato Metabae de Itabira

A Vale se prepara para, em 2026, se adaptar a um novo ciclo de mineração em Itabira, com previsão de duração até meados de 2041. O anúncio marca mais uma etapa na longa história da atividade mineral na cidade, que já passou por diferentes fases desde o início da exploração de hematita, passando pela exaustão da histórica Mina Cauê, no início deste século. Supostamente, as adequações serão necessárias para serem realizados processos atuais de concentração no minério de ferro de baixo teor, no Complexo Minerador de Itabira, até a exaustão das atuais reservas, para os próximos 16 anos. Para isso, já no segundo semestre de 2026, a usina Cauê entrará em fase de “hibernação” para reformas e modernização, sem data anunciada para conclusão.

Durante esse período, a produção local será concentrada nas duas usinas do Complexo Conceição. Com isso, a previsão é que a arrecadação municipal não sofra queda. E pela mesma razão, deverá ser mantido também o índice Valor Adicionado Fiscal (VAF) do município, apurado pela Secretaria de Estado da Fazenda de Minas Gerais, com base no qual é feito o rateio do Imposto de Circulação sobre Mercadorias e Serviços (ICMS), entre os municípios mineiros. Em reunião realizada nessa segunda-feira (1º) entre o Sindicato Metabase e a diretoria operacional da Vale, a empresa se comprometeu a manter os postos de trabalho durante o processo de readequação, como o possível reaproveitamento do minério nos rejeitos depositados nas barragens.

Para esse cumprimento, haverá fiscalização mensal para garantir que não haja aumento de demissões, exceto em casos de justa causa, desligamentos voluntários e aposentadorias. E ainda deverá ser respeitada a estabilidade do chamado “turnover”, ou seja, o índice de rotatividade dos colaboradores, que mede a relação entre admissões e demissões. Entre os pontos defendidos para a manutenção dos postos de trabalho, está a realocação de trabalhadores para outras áreas, seja em estruturas do próprio complexo Cauê (oficinas de manutenção ou mesmo no serviço de adequação), como também em transferências no próprio Complexo Conceição. Crises como em 2009, com a queda vertiginosa no preço do minério, e em 2015, na pandemia.

Os desafios foram enfrentados na busca por manter os empregos. Desde 1942, quando tiveram início as atividades da Vale, a empresa passou por vários ciclos. Esse novo ciclo da mineração em Itabira representa não apenas um desafio técnico e operacional para a Vale, mas também um momento decisivo para os trabalhadores, que terão de se preparar para uma realidade marcada por mudanças e adaptações constantes. O primeiro ciclo começou com a extração e britagem da hematita, seguido, na década de 1970, pela concentração do itabirito friável. Já na década passada, a Vale inaugurou o terceiro ciclo, com o aproveitamento do itabirito compacto, que antes era considerado estéril, passou a ser um novo produto atrativo ao mercado.

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