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No Dia Nacional de Combate e Prevenção à Surdez, celebrado nesta segunda-feira (10), aciona-se o alerta para um hábito moderno que se tornou o principal vilão da saúde auditiva: o uso incorreto de fones. A Organização Mundial da Saúde (OMS) informou que mais de um bilhão de pessoas entre 12 e 35 anos estão em risco de perda auditiva, devido à exposição frequente a ruídos altos e ao uso inadequado de dispositivos. O otorrinolaringologista Lauro Nunes de Oliveira Filho explica formas de fazer a utilização sem excessos ou por meio de maneiras que não prejudiquem a saúde.
O cenário é preocupante, reforçado pelo último Relatório Mundial da Audição da OMS, que estima que aproximadamente 2,5 bilhões de pessoas em todo o mundo terão algum tipo de perda auditiva até 2050. O problema é grave nas Américas, onde a OMS indica que cerca de 217 milhões de pessoas (21,52% da população regional) já vivem com perda auditiva, número que pode saltar para 322 milhões até 2050. O especialista, Lauro Nunes de Oliveira Filho, explica que o uso de fones em volume muito alto e por muito tempo pode provocar lesão nas estruturas internas da orelha.
Essa parte da cabeça é a responsável por captar e transmitir o som, levando ao que se chama de perda auditiva induzida por ruído. “Esses danos nem sempre causam imediatamente déficit que a pessoa percebe, é possível escutar normalmente e já haver início de alteração. Em alguns casos, o primeiro sinal que aparece pode ser o zumbido, som no ouvido que ninguém mais ouve, mas não é regra ser sempre indicativo. Pode vir primeiro, leve dificuldade para ouvir em ambientes com barulho, sensação de cansaço na audição ou de que precisa aumentar o volume”, revela.
No Brasil, dados da Pesquisa Nacional de Saúde (PNS) indicam que 2,2 milhões de pessoas possuem deficiência auditiva. O risco está diretamente relacionado à intensidade do volume e ao tempo de exposição. Segundo a OMS, sons de até 85 decibéis (dB) permitem uma exposição segura por até oito horas. Contudo, a cada 5 decibéis de aumento, o tempo seguro de exposição cai pela metade: 90 dB (comuns no trânsito intenso) são seguros por apenas quatro horas, e 95 dB por duas horas. O perigo real dos fones de ouvido é que muitos dispositivos podem atingir picos de 120 decibéis.
O otorrinolaringologista, Lauro Nunes de Oliveira Filho comenta que nem sempre a perda auditiva induzida por ruído (PAIR) de fones de ouvido é reversível, e que se as exposições se repetem ou se intensificam, ocorrem lesões permanentes nas células da orelha interna ou em suas conexões, que não se regeneram. O uso frequente de fones de ouvido faz parte do dia a dia de muitas pessoas, seja para lazer, trabalho ou estudos. O médico especialista da área ressalta cinco principais recomendações importantes para manter a saúde auditiva protegida.
- Mantenha o volume em níveis seguros
Procure manter o volume abaixo de 60% da capacidade máxima do dispositivo. Evite compensar o barulho do ambiente aumentando o som, prefira fones com isolamento acústico ou cancelamento de ruído.
- Limite o tempo de uso
Procure usar os fones por no máximo 60 minutos seguidos e dê intervalos antes de retomar o uso. Quanto maior for o volume, menor deve ser o tempo de exposição.
- Faça pausas para descanso auditivo
Dê pausas regulares para que os ouvidos descansem, alguns minutos sem fones já fazem diferença. Essa pausa ajuda a evitar fadiga auditiva e reduz o risco de danos cumulativos à audição.
- Prefira ambientes silenciosos
Em locais barulhentos (como ônibus, metrôs ou ruas movimentadas), a tendência é aumentar o volume para superar o ruído. Sempre que possível, ouça música ou podcasts em ambientes mais tranquilos. Se inevitável o uso em locais ruidosos, opte por fones com boa vedação ou tecnologia de cancelamento de ruído.
- Utilize recursos de proteção auditiva
Muitos dispositivos contam com funções de alerta de volume alto ou limite de som seguro, ative essas opções. Alguns aplicativos e celulares registram o tempo de uso em volumes elevados, use essas informações para ajustar seus hábitos.
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