
Foto: Divulgação
A recente morte do músico Lô Borges a colocou em destaque
A intoxicação medicamentosa se consolidou como um grave desafio de saúde pública no Brasil, sendo os medicamentos a principal causa de envenenamento e intoxicação no país. A recente morte do ícone da Música Popular Brasileira (MPB) Lô Borges, aos 73 anos, por falência múltipla de órgãos, trouxe o debate à tona com gravidade e urgência. A internação do artista, que tratava o quadro de intoxicação, é um alerta dramático sobre os perigos da interação medicamentosa, especialmente em pacientes que utilizam múltiplos fármacos, uma realidade comum entre a população idosa. O uso inadequado de fármacos, a automedicação e a polifarmácia são fatores críticos que elevam o risco de eventos adversos.
Erros de administração, embora minoritários, contribuem para o cenário de risco. A complexidade do tratamento e a potencial letalidade desses eventos ressaltam a necessidade de um olhar sistêmico e especializado. Para o Dr. Miguel de Lemos Neto, médico especialista em farmacologia, o caso Lô Borges é um lembrete de que o uso simultâneo e sem orientação de diferentes medicamentos pode trazer consequências graves. “A automedicação é um hábito comum, mas perigoso. Mesmo medicamentos considerados inofensivos podem provocar reações adversas quando combinados entre si ou com outros tratamentos em andamento. Buscar orientação profissional é essencial para garantir a segurança e a eficácia da terapia”, explica o especialista.
Algumas combinações são especialmente arriscadas. O uso de anti-inflamatórios e anticoagulantes pode aumentar o risco de sangramentos. Antibióticos com anticoncepcionais podem reduzir a eficácia destes. Ansiolíticos ou antidepressivos com bebidas alcoólicas podem causar sonolência intensa, confusão mental e até depressão respiratória. A correta orientação profissional é, portanto, um pilar fundamental para a segurança do paciente, prevenindo a escalada de um tratamento para um evento adverso grave e garantindo que o benefício do medicamento não seja anulado pelo risco da interação. São sintomas: sonolência, letargia, confusão, delírio, dificuldade de fala, diminuição ou perda dos reflexos, hipotermia, depressão respiratória.
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