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Um estudo sobre o panorama do câncer de pulmão no Brasil, realizado pelo Instituto Oncoguia, revelou que o cigarro é responsável por cerca de 85% dos casos das neoplasias pulmonares. A fumaça do tabaco contém mais de quatro mil compostos e substâncias químicas, conforme aponta o relatório do Departamento de Saúde e Serviços Humanos dos Estados Unidos (DHHS, da sigla em inglês), “As consequências da exposição involuntária à fumaça do tabaco para a saúde” – em tradução livre.
“Seguramente, ao menos 50 dos mais de quatro mil compostos emitidos pela fumaça exalada por tabagistas são carcinogênicos, e alguns em concentrações até 10 vezes maiores do que a fumaça inalada pelo próprio fumante. O fumante passivo tem um risco aumentado entre 20% e 30% de desenvolver câncer de pulmão quando comparado a pessoas sem contato”, descreve a oncologista da Oncoclínicas Belo Horizonte, Flávia Amaral Duarte.
Visto que os efeitos do cigarro são nocivos para os fumantes e não fumantes, a oncologista reitera que mesmo exposições breves ao fumo passivo podem danificar o DNA celular de maneira a ativar a carcinogênese. “Tal como acontece com o tabagismo ativo, quanto maior a duração e o nível de exposição ao fumo passivo, maior o risco de desenvolver câncer de pulmão”, comenta.
O Instituto Nacional de Câncer (Inca) estima que para cada ano do triênio 2023/2025, sejam diagnosticados no Brasil 32.560 novos casos de câncer de pulmão, traqueia e brônquios (18.020 em homens e 14.540 em mulheres). Mais de 161.853 mil mortes poderiam ser evitadas anualmente se o tabaco fosse deixado de lado, sendo que cerca de 1⁄3 desses óbitos são decorrentes de algum tipo de câncer relacionado ao hábito de fumar, segundo o Inca. A maioria dos pacientes com câncer de pulmão apresenta sintomas relacionados ao próprio aparelho respiratório.
“Os primeiros sinais da neoplasia pulmonar se assemelham aos de outras condições comuns associadas ao trato respiratório, por isso dificilmente é diagnosticada no estágio inicial. Sintomas como falta de ar, dor torácica contínua, perda de peso sem motivo, rouquidão e pneumonias recorrentes são encontrados em fases mais avançadas da doença”, aponta a oncologista.
Flávia Amaral Duarte alerta que os fumantes passivos estão expostos a outros riscos, como infarto agudo do miocárdio, acidente vascular cerebral, doenças respiratórias, osteoporose, obesidade e diabetes, e especialmente as crianças são as que mais sofrem com o tabagismo passivo. “Gestantes expostas à fumaça do cigarro têm chances aumentadas de parto prematuro ou de terem um bebê com baixo peso ao nascer. Há ainda um aumento no risco de síndrome da morte súbita do lactente, além de asma, infecções das vias aéreas e meningite”, finaliza.
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